📜 2 Centavos – Tomar, 1922
- Diniz Brites

- 3 de jan.
- 2 min de leitura

Hoje trago-vos uma curiosa cédula de emergência portuguesa, emitida pelo Município de Tomar em 1922, no valor de apenas 2 centavos. Pode parecer modesta, mas conta-nos muito sobre uma época de crise, criatividade e adaptação.
Dimensões: 83 × 55 mm
Valor facial: 0,02 Escudos
Emissor: Câmara Municipal de Tomar
Demonetizada: 7 Dezembro 1922
🔸 Contexto histórico

A 1.ª República, implantada em 1910, mergulhou Portugal numa sucessão de governos instáveis e crise económica. Com a entrada do país na 1.ª Guerra Mundial, os preços dispararam e o valor do escudo desvalorizou-se drasticamente. Em 1914, a maior nota em circulação era de 100 escudos; em 1920, valia apenas 20. Para compensar, o Banco começou a emitir notas de 1000 escudos (que equivaliam a 200 escudos de 1914), e a população começou a esconder moedas — o seu valor metálico era superior ao facial!
A escassez de moeda levou o Governo a permitir que entidades locais emitissem pequenas cédulas. Tomar foi uma delas. No total, 178 concelhos lançaram o seu próprio “dinheiro de papel”, permitindo manter as trocas do dia a dia.

🔹 Design – Anverso
À esquerda da nota vemos os antigos Paços Reais de Tomar, mandados construir por D. Manuel I (1469-1521) e doados à Câmara. Ao fundo surgem a Mata dos Sete Montes, o Convento de Cristo e o Castelo dos Templários.

À direita, a extraordinária Janela do Capítulo do Convento de Cristo, obra-prima do estilo manuelino, esculpida por Diogo de Arruda entre 1510 e 1514. O seu simbolismo náutico é riquíssimo: cordas, boias, algas, correntes, a cruz da Ordem de Cristo, a esfera armilar e o brasão de Portugal. Até se acredita que o velho de barba entalado entre raízes seja um autorretrato do arquiteto.
A circulação destas cédulas foi proibida por despacho em dezembro de 1922. Hoje, são pequenos tesouros históricos de uma era de improviso e engenho.





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