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📮 Censura postal na 1.ª República Portuguesa 🇵🇹

📮 Censura postal na 1.ª República Portuguesa 🇵🇹

Entre o papel amarelado e a caligrafia feita com caneta de aparo, sobrevive esta carta enviada pela Farmácia Proença, na Rua do Rosário (Porto), para Madrid, em 1917.


Essa farmácia já não existe — tal como o português antigo que se lê no sobrescrito, com “Pharmacia” escrito com “ph”.

Mas o mais curioso é o que lhe aconteceu no caminho: foi aberta pela censura. ✒️⚠️


📮 Censura postal na 1.ª República Portuguesa 🇵🇹

✉️ No canto esquerdo, uma fita colada cuidadosamente indica: “Aberta pela Censura”, com o carimbo de 9 de outubro de 1917.


Desde 1916, qualquer carta podia ser lida ou apreendida se contivesse algo que “pusesse em risco a defesa nacional”.


Os censores abriam, liam e voltavam a selar a correspondência numa rotina de vigilância diária. 🔍

📮 Censura postal na 1.ª República Portuguesa 🇵🇹

🗞️ A censura, porém, não nasceu com a guerra: já nos primeiros anos da República, jornais católicos, monárquicos e sindicalistas foram encerrados por “ultraje ao Estado”.



⚖️ A 1.ª República (1910–1926) prometera liberdade, mas rapidamente mergulhou no caos: 8 presidentes, 45 governos e inúmeras revoltas e golpes de Estado — tudo isto em menos de 16 anos.


Dividido entre democráticos, evolucionistas e unionistas, o Partido Republicano fragmentou-se em disputas e conspirações que paralisaram o país.

O Congresso elegia o presidente da República e podia demitir tanto o chefe de Estado como o próprio governo.


🗳️ Apesar das promessas de sufrágio universal, as mulheres e os analfabetos (mais de 70% da população) continuavam sem direito de voto.

Camionete Fantasma

Entre as crises destacam-se dois episódios marcantes: a Monarquia do Norte (1919), liderada por Paiva Couceiro, que tentou restaurar D. Manuel II no Porto 👑; e a Noite Sangrenta (1921), quando uma “carrinha fantasma” assassinou vários políticos e heróis da Revolução de 1910 🚐.



CEP na França

🪖 Quando esta carta foi aberta, Portugal — presidido por Bernardino Machado — enfrentava não só a instabilidade política, mas também a Primeira Guerra Mundial: fome, inflação e 7760 soldados mortos, muitos deles nas trincheiras da Flandres.

Mesmo antes da entrada oficial em 1916, as colónias de Angola e Moçambique

á sofriam ataques das forças alemãs vindas da Namíbia e da Tanganica.



Em 1926, o golpe de Estado do general Gomes da Costa pôs fim à 1.ª República, abrindo caminho à Ditadura Militar e, mais tarde, ao Estado Novo, que só terminaria em 1974.

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