🕊️ Faz hoje 840 anos que partiu D. Afonso Henriques — o primeiro Rei de Portugal. 🇵🇹
- Diniz Brites

- 6 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 27 de jan.

E é através desta nota de 1000 escudos de 1942 que revisitamos a sua vida:
No anverso, o seu retrato inspirado na Sala dos Capelos e, ao lado, a cena simbólica da rendição dos mouros — uma imagem que evoca o longo confronto cristão-muçulmano que marcou toda a sua época.
—
As raízes de um reino

Afonso era filho do conde D. Henrique e de D. Teresa, neto do poderoso Afonso VI de Leão e Castela. O seu pai chegara à Península integrado no movimento reformador de Cluny, ao lado dos primos Eudo e Raimundo, a pedido de Afonso VI, desesperado pela ameaça muçulmana após a derrota em Uclés. Como recompensa pelos serviços, o rei ofereceu-lhes as suas filhas em casamento e concedeu a Henrique o Condado Portucalense como feudo — com obrigações de vassalagem.
D. Henrique procurou fortalecer o condado: alargar fronteiras, libertar Braga da tutela de Compostela e afirmar autonomia. A sua morte deixou D. Teresa à frente de um território instável, dividido entre a nobreza portucalense e a galega, que cedo conquistou a sua confiança.
Insatisfeita com a crescente influência galega, a Nobreza de Entre-Douro-e-Minho chamou o jovem Afonso — que a tradição diz ter nascido no Castelo de Guimarães em 1109 — para liderar a sua causa.
1128: Batalha de São Mamede
A vitória de Afonso sobre os aliados galegos da sua mãe marcou o início da sua governação. Mas o grande desafio estava para vir: libertar-se da tutela do primo Afonso VII. Expandiu territórios, governou como soberano de facto e, em 1143, escreveu ao Papa Inocêncio II pedindo reconhecimento e oferecendo vassalagem direta a Roma.
O Reino nasce
Em 1143, o Tratado de Zamora selou o fim da sujeição a Leão. Em 1179, a bula Manifestis Probatum proclamou-o Rex Portugaliae, vassalo apenas do Papa — o nascimento jurídico do Reino de Portugal.
O Conquistador em ação
Num tempo em que grande parte da metade sul da Península Ibérica estava sob domínio muçulmano, D. Afonso conquistou entre 1147 e 1165 Santarém, Lisboa, Sintra, Almada, Palmela, Alcácer do Sal, Beja e Évora, fixando as bases territoriais do jovem país.
—
D. Afonso Henriques morreu no dia 6 de Dezembro de 1185.

Séculos depois, D. Manuel mandou erguer para ele um túmulo monumental na Igreja de Santa Cruz de Coimbra, cuja construção começara em 1132. Ali repousa frente ao túmulo do filho, D. Sancho I.
É este o monumento representado no reverso da nota.
—
As lendas em torno de D. Afonso Henriques

As lendas à volta de D. Afonso Henriques são quase tão antigas quanto o próprio reino.
Tradicionalmente aponta-se o seu nascimento para 1109, no Castelo de Guimarães, embora algumas fontes indiquem 1106. Diz-se que tinha uma altura notável aos olhos dos seus contemporâneos - entre 1,60m e 1,70m - e que empunhava uma espada tão pesada que poucos cavaleiros a conseguiam levantar. O imaginário popular e as crónicas medievais pintam-no como um rei de grade força física, coragem quase mítica e com muita sabedoria.
Mesmo que nem todas estas histórias sejam verificáveis, revelam a dimensão que a sua figura ganhou como Rei Fundador do imaginário português.
—
Casamento e descendência

A união com D. Mafalda de Saboia, filha de Amadeu III, conde de Saboia, e Mafalda de Albon, foi um momento político crucial. Mais do que uma siimples aliança, este casamento, que ocorreu por volta de 1146, integrou o novo reino português nas redes diplomáticas europeias, nomeadamente através das ligações de Saboia com o Sacro Império Romano-Germânico e o papado.
A importância da descendência é inquestionável. O nascimento de D. Sancho I, que viria a ser o segundo rei de Portugal, e dos seus irmãos e irmãs (como D. Urraca, que casou com Fernando II de Leão) garantiu a estabilidade e a continuidade do projeto de independência.
A transição de poder para Sancho I ("O Povoador") após a morte do pai em 1185 demonstra o sucesso da fundação, assegurando que o reino sobreviveria para além do seu carismático fundador e continuaria o processo da Reconquista e organização interna do território.



Comentários