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🚋 Passe da Carris — Lisboa, 1929 (História & Contexto)

Atualizado: 4 de mar.

Passe de elétrico da Carris, válido no terceiro trimestre de 1929. Peça rara, com belíssimos desenhos. O retrato mostra um homem com bigode aparado a usar chapéu, típico lisboeta de há cem anos atrás.

Todos os dias milhares de portugueses usam transportes públicos, mas poucos conhecem a curiosa história por trás da Carris.


🏛️ História dos transportes públicos em Lisboa


A Companhia Carris de Ferro de Lisboa foi fundada em 1872, no Rio de Janeiro 🇧🇷, pelos irmãos Luciano e Francisco Cordeiro de Sousa, empresários portugueses ligados ao Brasil. No ano seguinte começaram a circular em Lisboa os primeiros “carros americanos”, ainda puxados por cavalos, ligando o centro às zonas em crescimento.


Em 1901 deu-se a grande transformação: a tração elétrica (implementada pela Wernher, Beit & Co.) substituiu os animais e Lisboa entrou definitivamente na modernidade. Os elétricos tornaram-se parte da identidade da cidade — subindo colinas, rangendo nas curvas e acompanhando a expansão urbana das primeiras décadas do século XX.


🌇 Lisboa em 1929


Quando este passe foi emitido, Portugal vivia sob a Ditadura Militar, poucos anos antes do Estado Novo. Lisboa crescia e modernizava-se, mas mantinha um forte contraste entre tradição e progresso.


A rede elétrica estava consolidada e o transporte público era essencial para milhares de trabalhadores — operários, funcionários públicos, comerciantes — todos dependentes do som metálico dos carris.


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Passe de elétrico da Carris, válido no terceiro trimestre de 1929. Peça rara, com belíssimos desenhos. O retrato mostra um homem com bigode aparado a usar chapéu, típico lisboeta de há cem anos atrás.
Anverso

🪪 O passe


Válido para o 3.º trimestre de 1929, este bilhete de assinatura é pessoal e inclui fotografia e assinatura do titular.


O retrato mostra um lisboeta típico da época: chapéu e bigode aparado — talvez a caminho do trabalho, talvez orgulhoso do seu estatuto, num país onde a maioria da população ainda vivia no campo, dependente da agricultura.


Passe de elétrico da Carris, válido no terceiro trimestre de 1929. Peça rara, com belíssimos desenhos. No reverso podemos observar as condições de uso destes bilhetes de assinatura.
Reverso (condições dos bilhetes de assinatura)

No anverso, o desenho do elétrico reforça a ideia de movimento e modernidade. A composição gráfica é simples, funcional e elegante — muito característica do início do século XX.


Foi impresso pela Waterlow & Sons, Limited (Londres), empresa conhecida maioritariamente pela produção de notas e selos postais.


Encontrei-o na Feira da Ladra, a mais antiga da cidade, com raízes medievais — um lugar onde objetos esquecidos continuam a guardar histórias.


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Pequeno em tamanho, mas enorme em significado — um fragmento da Lisboa que se movia sobre carris. Um objeto que sobreviveu quase um século para nos lembrar que, muito antes dos cartões eletrónicos e das aplicações móveis, a cidade já tinha o seu próprio ritmo… ao som do tilintar do elétrico.

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